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Modernismo (Brasil e Portugal) e Tendências Artísticas
TEXTO I
Ode Marítima (fragmento)
Ah, ser o mar!
Ser o mar e as ondas e as rochas!
Ah, ter a fúria das marés, a vastidão da espuma, o ruído!
E a vertigem das gaivotas sobre o abismo, e a solidão, a grandeza…
[…]
Ah, possuir tudo isso e ser só meu, inteiramente meu!
E sentir as amarras a quebrar-se, os diques a ceder…
E que a minha vontade se espalhe em marés, e inunde, e leve, e destrua.
PESSOA, Fernando (Álvaro de Campos). Obras completas.
TEXTO II
Pneumotórax (fragmento)
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: — Diga trinta e três. — Trinta e três… trinta e três… trinta e três… — Pneumotórax. […] Morrer. Morrer de quê? De tudo.
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e Prosa.
Os Textos I e II, embora escritos em contextos do Modernismo luso-brasileiro, apresentam estéticas e posturas do eu lírico marcadamente distintas. A relação de contraste entre as obras de Fernando Pessoa (álvaro de Campos) e Manuel Bandeira reside no fato de:
- A) O eu lírico de Campos expressar uma visão futurista e super-homem em seu ímpeto de expansão e destruição, enquanto Bandeira projeta a fragilidade humana diante da doença e da finitude em tom conciso e prosaico.
- B) Ambos os textos revelarem uma ruptura total com a métrica tradicional e o lirismo nostálgico, focando em temas urbanos e no ritmo acelerado da máquina e da vida moderna.
- C) A Ode Marítima recuperar o subjetivismo ultrarromântico ao idealizar o mar como refúgio, ao passo que Pneumotórax assume uma perspectiva satírica e de crítica social tipicamente da primeira fase modernista brasileira.
- D) Campos manifestar o pessimismo existencialista e a dispersão da identidade, características do Orpheu e do Sensacionismo, em oposição ao lirismo intimista e à busca por uma identidade nacional em Bandeira.
- E) O poema português evidenciar a influência parnasiana na sonoridade e no vocabulário erudito, em contraste com a linguagem coloquial e a simplicidade temática de Bandeira, representativa da poesia Pau-Brasil.
Romantismo (Prosa e Poesia) e Contexto Social
Em todas as épocas, em todos os países, as condições de existência da mulher estão ligadas à organização social: é a sociedade que determina o lugar, o papel da mulher. O Romantismo, na literatura brasileira do século XIX, acompanhou e ajudou a consolidar uma visão social que se tornava hegemônica: a da mulher-anjo, idealizada, pura, destinada à maternidade e ao lar. O amor era o único horizonte possível. Essa idealização, porém, convivia com a dura realidade de jovens forçadas a casamentos arranjados por interesse financeiro ou social.
(Adaptado de FIGUEIREDO, F. A Mulher na Literatura Brasileira: do Romantismo à Geração de 45.)
Considerando-se o excerto e o contexto do Romantismo brasileiro, o romance Senhora, de José de Alencar, complexifica a visão da “mulher-anjo” ao:
- A) Apresentar Lúcia como uma heroína que, em sua essência, aceita o destino imposto pelo patriarcado, mas utiliza a riqueza como artifício para uma breve rebelião antes de se submeter ao casamento por amor.
- B) Expor a falência do casamento como instituição baseada no interesse financeiro, mas restringir a crítica à esfera privada, sem propor uma ruptura com os valores morais burgueses da época.
- C) Romper com o sentimentalismo romântico ao adotar a técnica realista de análise psicológica das personagens e do ambiente social, antecipando o Naturalismo no tratamento das relações humanas.
- D) Inverter a lógica do dote, transformando a mulher (Aurélia Camargo) em agente de sua própria transação matrimonial, o que a empodera financeiramente e revela o caráter mercantilista das relações afetivas na sociedade burguesa.
- E) Demonstrar que a busca pela riqueza e pela ascensão social, mesmo que efetuada por uma mulher, é incompatível com a felicidade e com os ideais de pureza e sacrifício tipicamente românticos.
Literatura Contemporânea e Intertextualidade
TEXTO A
Morri para o mundo e o mundo morreu para mim. Também o meu desejo. E a minha desgraça.
(Inspirado em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis).
TEXTO B
A morte não faz ninguém mais interessante. Não faz ninguém herói, nem vilão. Apenas cessa o pulso. E o que resta é o silêncio e o inventário, a lista de objetos, dívidas e afetos que a gente deixa para trás. E que, cá entre nós, nem sempre é um Bálsamo de Meca.
(Texto contemporâneo ficcionalizado).
A relação intertextual entre o Realismo machadiano e a Literatura Contemporânea, estabelecida pelos textos A e B, evidencia uma tendência da escrita atual, que é:
- A) A manutenção do tom pessimista e cético do século XIX, porém desvinculando-o da crítica social explícita para focar no dilema existencial do indivíduo.
- B) O uso de referências clássicas para reafirmar a estrutura narrativa linear e o papel do narrador-personagem como centro da reflexão filosófica.
- C) A desmistificação da figura do morto, retirando a aura de excepcionalidade ou de grandiosidade póstuma e tratando a morte como um evento cotidiano e burocrático, em um registro irônico e direto.
- D) O resgate da metalinguagem como principal recurso expressivo, por meio do diálogo explícito e didático com obras canônicas, a fim de orientar a leitura do público.
- E) A adoção de um discurso hiperbólico sobre a insignificância da vida e da morte, em uma filiação direta ao Modernismo radical da Geração de 22 e suas propostas de demolição.








